Dizem que a temporada de Sol em Leão é o tempo de brilhar.
Mas ninguém fala da coragem que existe em quem ainda está aprendendo a levantar da própria sombra.
Passei anos acreditando que o meu lugar era onde cabiam os sonhos dos outros.
Esqueci o som da minha voz. Esqueci que também havia um coração esperando por mim.
Hoje, quando perguntam o que farei da minha vida, respondem por mim.
Apontam caminhos, vestem-me com profissões que nunca sonhei, como se felicidade fosse apenas um salário e não um lugar onde a alma respira.
Mas há algo que já não aceito.
Depois de tanto tempo vivendo distante de mim, não quero trocar uma prisão por outra.
Talvez eu ainda não saiba qual é o meu destino.
Talvez eu caminhe devagar, enquanto o mundo insiste em correr.
Mas aprendi que nenhuma pressa vale o preço de abandonar a mim mesma outra vez.
Nesta temporada de Sol em Leão, não peço aplausos.
Peço paciência.
Paciência para reconstruir a mulher que a vida fragmentou.
Paciência para descobrir o trabalho que converse com a minha essência.
Paciência para entender que existir também é um ato de coragem.
E, quando o meu Sol voltar a aquecer tudo o que sou, não será porque conquistei o centro do mundo.
Será porque, depois de tantos anos, finalmente encontrei o caminho de volta para o centro de mim.

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